A Mostra Iluminare 2026 promoveu, na noite de quarta-feira (17), em Sinop, um encontro entre os arquitetos Bruno Veras e Felipe Seganfredo para discutir inovação, inteligência artificial, criatividade e personalização na arquitetura. Realizado no Deck da Casa Iluminare, o talk reuniu profissionais do setor e abordou tendências que vêm transformando o mercado da arquitetura e do design de interiores.
Acostumado a frequentar mostras de arquitetura de alto nível no Brasil e no exterior, Bruno Veras não poupou elogios ao que encontrou em Sinop. “Estou bem impressionado com a qualidade do desenho dos ambientes, dos acabamentos, da luz, das texturas, cores e domínio de cor. Estão de parabéns, é uma casa muito agradável”, afirmou.
Para ele, a participação no talk foi uma experiência alémdo esperado. “Foi um bate papo incrível. Super inspirador. Leve. A gente fala do que a gente gosta e quando a gente fala com gente gabaritada, o nível da conversa sobe. Com uma turma muito bacana de colegas compartilhando ideias e trocando experiências. Resumindo, foi surpreendente. Estou muito feliz de estar aqui e muito honrado de estar participando deste evento”, destacou.
O arquiteto destacou dois ambientes da Mostra com os quais mais se identificou. “Gostei de tudo. Mas se for para realmente eleger e isso não é nem querer dizer se é bom ou ruim, mas é de um gosto pessoal mesmo, de identidade. Eu adorei uma suíte de casal. Me senti bem. Trouxe um clima meio provençal. Ao mesmo tempo, em contrapartida, uma suíte de inspiração inglesa, Oxford, mais masculina, mais sóbria, que eu também me identifiquei”, explicou.
Um dos temas do talk foi discutir o papel crescente da inteligência artificial na rotina dos escritórios de arquitetura. Para Bruno Veras, a tecnologia é fundamental em três frentes, na gestão de equipes e processos, na qualidade das apresentações ao cliente e na fiscalização de obras. “A entrega de uma imagem com IA é infinitamente superior ao que os aplicativos que a gente usava até então entregavam — o realismo, a naturalidade, a temperatura de cor das cenas impressiona muito o cliente”, avaliou. Ele também citou o uso de drones integrados para identificar erros em obra e evitar retrabalho. “O uso de drones na fiscalização de obras permite escanear imagens da construção e integrá-las ao BIM, que é o sistema de gerenciamento do projeto. Isso possibilita identificar onde estão os erros. Dessa forma, antecipa problemas e evita retrabalho. Assim, a tecnologia tem sido uma aliada de grande importância no dia a dia do arquiteto”, destacou.
Questionado sobre o que viu no exterior e que ainda não é realidade no Brasil, Veras foi mencionou que a biofilia é oconceito, que propõe fazer da natureza protagonista do projeto e que vai além do uso de plantas. “Vi na Espanha um concreto poroso que consegue sugar a poluição do ar ao seu redor”, contou. “A gente mora num país tropical, muito quente, que chove bastante. Precisamos saber tirar melhor partido disso.” Segundo ele, seu escritório já pesquisa formas de incorporar mais biofilia nos próximos projetos, dentro das condições econômicas do país.
O arquiteto Felipe Seganfredo também apresentou sua filosofia de trabalho centrada na vivência de quem vai usar o espaço e não apenas nas tendências do momento. “Nem tudo é baseado na tendência. Tudo é baseado na necessidade. Falei sobre isso no talk porque acredito muito na vivência de quem vai usar aquele espaço”, afirmou.
Para Seganfredo, a personalização começa antes mesmo do projeto: “Uma das minhas vertentes dentro da arquitetura e eu coloquei isso como uma regra dentro do meu escritório é sair realmente do óbvio. É ser algo personalizado. É gerar uma experiência desde o nosso atendimento”, garantiu.
Um dos exemplos que citou foi um corredor com teto de vidro em uma residência. “Quem entra na casa tem a sensação de presenciar algo inusitado. É uma ousadia que não é normal de se usar, mas que quando a pessoa vivencia, ela entende que faz sentido”, mencionou.
A presença de Bruno Veras na Mostra Iluminare não foi por acaso. Leandro Marques Neto, gestor da Gran Incorporadora, explicou que o arquiteto já assina dois projetos da empresa em Sinop: o Sávia, já lançado e em construção, e um segundo empreendimento que está com alvará de construção aprovado e deve ser lançado em breve. “O mercado é desafiador mas é um empreendimento que vai surpreender muita gente”, adiantou.
Para ele, a conexão entre a mostra e os empreendimentos verticais da Gran é estratégica. “A iluminação tem uma importância gigantesca para a Gran no que diz respeito ao conceito que será incorporado ao empreendimento. A Gran desenvolve empreendimentos verticais, o que é um pouco diferente do que a Iluminare apresenta aqui, dentro de uma residência. Porém, as tendências dos ambientes e das áreas comuns precisam se inspirar em algo que as pessoas usam e apreciam: o sentimento de estar em casa. Levar essa inspiração e esse conceito para dentro dos empreendimentos verticais”, concluiu.